Já faz algum tempo que esse tema não sai da minha cabeça, tornando-se quase uma obsessão.
Meu último ente querido que faleceu foi minha “tia” Clarisse, contudo, a temática da morte já permeava meus pensamentos bem antes desse acontecimento.
Buscando algumas explicações para alimentar minha lógica do porque a morte não saía da minha mente, pesquisei e, encontrei (concluindo) que existe uma ciência que trata (?) disso, a Tanatologia.
Mas, não era isso que me perturbava. Percebi que o problema não era a Morte em si, e sim, os “efeitos colaterais” que ela traz aos que ficam vivos.
Socialmente somos construídos a não aceitar nossa condição inapelável de que “todos” morremos. Não tenho medo de morrer, mas sim, de como ficarão as pessoas que deixarei vivas.
Tenho percebido que minha natureza é um “pouco” insensível. Não me recordo de ter sofrido pela morte de entes queridos, nem pelo sofrimento dos que ficaram. Amigos meus, me disseram que isso pode ser explicado por um possível maior entendimento de minha parte sobre essa questão.
Pode até ser verdade, mas, confesso que me incomodava um pouco essa condição.
Pesquisar sobre essas questões foi bom, pois, me esclareceu bastante sobre os detalhes que cercam a condição intrínseca da morte, me mostrando como nossa sociedade cada vez mais se preocupa com as condições nas quais vivemos, do que na qualidade em que vivemos promovendo implicitamente um culto idólatra à vida.
Não sou depressivo ou tenho ideação suicida, somente não consigo imaginar uma aspiração que deveria ser natural de nossa condição humana, como uma inimiga da humanidade, e sim repudio o desejo humano a imortalidade.
”(…) a morte é um processo biológico natural e necessário. Falar que a morte é o contrário da vida não é correto. A morte é uma condição indispensável à sobrevivência da espécie e, através dela a vida se alimenta e se renova. Desta maneira a morte não seria a negação da vida e sim um artifício da natureza para tornar possível a manutenção da vida.” (BALLONE, G.J. – 2002 – http://gballone.sites.uol.com.br/voce/morte2.html)
Como ateu, o trecho acima é indispensável ao que penso sobre a morte. Assim como de certa forma, acredito que com o ser que morre, morre também uma parte de nós, pois nos inserimos como agentes do meio social do qual a pessoa que morre também fazia parte, porém tenho certeza de que o medo da morte é algo que a sociedade cria e usa para nos manter submissos a ela.
Schopenhauer (2003:28) recorre a Epicuro para mostrar uma realidade: “É desse ponto de vista que Epicuro examinou a morte, e assim tinha toda razão em dizer que ‘a morte não nos concerne’; pois, disse ele que, quando somos, a morte não é, e quando a morte é, não somos mais”.
Não deveríamos sofrer ou temer a morte, e sim, compreender esse fenômeno de nossa natureza. Sei que a “modos” de morrer dolorosos e trágicos, assim como únicos seres conscientes dessa condição no planeta que somos vamos senti-la. Porém, como escreveu Rubem Alves, “A morte e a vida não são contrárias. São irmãs”.
Continuo não entendendo direito minha insensibilidade diante da maioria das emoções que nos circundam, mas, com certeza comprovei porque nunca achei a morte como uma maldição, e sim como a caricatura do “Puro Osso” do desenho “As terríveis aventuras de Billy & Mandy”.
Hasta La vista.
Rio de Janeiro, 03 de abril de 2009.